Num mundo repleto de incertezas, de deep fake e de fake news, a confiança nos valores de uma marca e sua coerência atitudinal são um “asset” a ser resguardado.
A Apple, com esse passo estratégico para um de seus braços de negócios — o Cinema e o Streaming — fez um bom trabalho. Perpetuou a estratégia que segue há tantos anos. Está sendo elogiada, não porque fez uma vinheta analógica apenas, mas porque despertou de volta na população a beleza do mundo analógico, indo contra a maré.
Já a Coca-Cola, na adoção da IA, gerou uma sensação de dissonância cognitiva, um estranhamento sobre seus valores atuais serem adversos ao seu costumeiro modo de agir — ou seja, com a simplicidade de um Inocente. A exigência de um consumidor contemporâneo não está apenas na entrega de um produto de qualidade ou na excelência das matérias-primas, mas no modus operandi das marcas: sua sustentabilidade, seu impacto e, principalmente, seu comportamento enquanto negócio.
Para os consumidores da Coca-Cola, a pergunta que não quer calar é: qual é o equilíbrio entre inovação e consistência de marca? Até que ponto o público aceita uma mudança como essa, da ordem “patrimonial” da marca?